Uma nova forma de organização escolar - Redes colaborativas

Uma importante mudança que deve ser observada na sociedade hoje é a criação de redes. A maioria dos modelos anteriores conhecidos por sua estrutura hierárquica não estão funcionando mais, e isto não se restringe ao universo escolar. Empresas estão tendo que adaptar seus antigos modelos pi-ramidais a formatos mais colaborativos onde cada um valoriza seu trabalho e quer ser tratado com respeito.


Uma rede é um conjunto de conexões , e uma de suas características é estar em constante evolução.
Em uma rede sempre existem vários caminhos até chegar ao objetivo, pois o que não funciona logo é melhorado. No sistema piramidal existe uma força de manutenção por meio da autoridade mesmo quando se trata de algo que não está funcionando.

Isto ainda é presente no sistema escolar onde ainda existe esta força de manutenção na postura do professor, no sistema de provas e no próprio relacionamento da equipe.

Muitas vezes o próprio professor observa lacunas e falhas no sistema ,e mesmo sabendo como resolvê-las não pode faze-lo devido ao sistema estabelecido.

A grande sacada é que a maioria destes entraves do dia-a-dia do professor, ou seja, o que o faz sofrer no dia a dia,  não são dificuldades relacionadas a leis como a LDB, por exemplo. O projeto político pedagógico de cada instituição é elaborado e revisto pela própria instituição e deve ter a participação de todos os membros da equipe. A maneira como cada escola se organiza dentro dos parâmetros oferecidos é maleável e pode ser melhorada.

Conheço escolas super inovadoras que fogem totalmente aos padrões conhecidos e mesmo assim estão totalmente dentro da lei. São escolas que não se conformaram com o que não funciona e resolveram encarar de frente seus problemas. Cito aqui a Escola da Serra em Belo Horizonte, o Projeto Âncora em Cotia, a Escola da Vila em São Paulo, e muitas outras.

No universo escolar, parece que nos acostumamos a conviver com problemas, com avaliações que não avaliam, com atividades sem objetivo claro, com ordens cegamente cumpridas, com a falta de diálogo e sinceridade. Sofremos com indisciplina, mas não encaramos de frente o problema para compreender suas causas. Dizemos que o sistema de avaliação é falho, mas não nos reunimos na escola em busca desta solução. Dizemos que os alunos não se interessam em aprender, mas não buscamos rever o currículo, a relevância dos conteúdos ou a metodologia. Como já disse outras vezes, utilizar tecnologia para tentar engajamento em um conteúdo desnecessário pra vida não ajuda muito, os alunos não irão se envolver. Eles querem soluções reais para a vida real.

São problemas que, se encarados, teremos que mudar a postura, mudar a estratégia, reconhecer que os tempos são outros, as necessidades são outras... e parece que a falsa zona de conforto dói menos...

A lei não prevê organização da sala de aula, modelo das aulas, recursos utilizados, formas de relação professor-aluno e equipes pedagógicas. A LDB e agora a Base Nacional Comum aponta parâmetros sobre o que o aluno deve saber dentro de cada segmento, o que dá espaço à inovação.

A manutenção de um sistema rigidamente hierárquico e ultrapassado deve ser algo a ser abertamente discutido e superado.

Você está lendo isto e pensando... “ Mas o que eu, professor, posso fazer?”

Você é responsável por esta alienação toda vez que concorda em tratar seu aluno de forma rude e autoritária quando claramente percebe que o mundo não funciona mais assim. No mundo hoje o caminho é o respeito, colaboração e mais do que isto, inspiração. Existem novas metodologias, novos recursos, novas propostas, porém é necessário estar disposto a mudar.

A grande ferida é: “Antes o professor mandava e o aluno obedecia. Se me tirarem este domínio como o aluno vai me ouvir?”

O aluno ouve quem o inspira, quem ele quer imitar. Ele ouve o que o youtuber favorito diz, ele vai ouvir o professor se este estiver disposto a causar o mesmo impacto em sua vida.

É uma responsabilidade tão grande que acho que alguns professores ainda não se deram conta do tamanho de sua missão. Inspirar alguém ao conhecimento é a coisa mais grandiosa que um professor pode fazer.

Está na hora de encontrar resposta pra temida pergunta: “Professor, pra que eu estou aprendendo isto?”

Se você não tiver resposta para esta pergunta é porque o tema não deveria estar sendo trabalhado ali naquele momento e daquela forma.

“ Inspirar não é ter controle sobre o outro, é impactar positivamente.”


Débora Aquino - Educação Criativa





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