A escola dos meus sonhos - Débora Aquino


Sempre que penso em uma escola, imagino um espaço livre de criação, descobertas e crescimento.

Um lugar onde cada um possa desenvolver todo seu potencial, compreender o mundo e transforma-lo em um lugar melhor.

Sei que pareço sonhadora, mas realmente acredito que isto é possível. Um sonhador acredita em uma utopia, eu acredito em possibilidades.

Tenho falado bastante sobre isto, lançado alguns conceitos novos, compartilhado novas metodologias... e confesso que sempre me empolgo. Minha mente vai longe, a quilômetros de distância da realidade e eu sei bem disto.

Tenho visitado algumas escolas, conversado com professores de diversas realidades e aos poucos vou me tocando do abismo que existe entre o mundo e a escola. Talvez pra quem está acostumado apenas com o mundinho fechado de uma escola não perceba , o que é um grande problema.

Vejo alguns professores corajosos, porém sempre solitários em suas escolas mas enxergando longe também, buscando coisas novas, tentando conectar a escola com a vida. Estes merecem nosso respeito. Mas a grande maioria (e talvez a mais barulhenta) está sempre a reclamar, colocar a culpa em alguém e ficam sempre na média. Às vezes até inconformados porque suas aulas já não apresentam o mesmo resultado de anos atrás quando era considerado o melhor professor da escola.

Aí a culpa é sempre dos alunos, essa "geração desinteressada que não consegue se concentrar, não prestam atenção..."

Tem um ponto central nisso tudo que parece estar passando despercebido por esta turma que gosta de reclamar: a forma de distribuição da informação e do conhecimento hoje através da internet.  Isto muda tudo, muda as necessidades, muda a forma de relacionamento, muda as relações de poder.

Antes o professor , como aquele que explica tudo que o aluno tinha que saber , tinha um elemento de controle: quem não prestasse atenção nele estaria em apuros e não teria informações consideradas relevantes pra vida.

Hoje as crianças aprendem intuitivamente na internet, descobrem coisas, ficam curiosas e desenvolvem a autonomia e a habilidade de buscar soluções reais.

O mundo hoje carece destas habilidades e a escola não está respondendo estas demandas, ainda continua focada em conteúdos padronizados. É como se ainda estivesse funcionando no modelo industrial, em série, todo mundo aprendendo as mesmas coisas, do mesmo jeito.

Sabe aquela velha parábola que diz que "não se coloca vinho novo em odres velhos" ? Ela se encaixa bem aqui.

Um odre era um recipiente de couro que servia como garrafa antigamente. E o couro quando fica velho, fica ressecado e racha, se rompe.

É o que está acontecendo com a escola , estão tentando colocar um mundo novo numa estrutura velha, seca, enrijecida... e aí da errado, não suporta.


É o que acontece quando se coloca aparatos tecnológicos , jogos, lousas digitais, aplicativos e essa parafernalha toda tentando motivar os alunos a aprender e guardar informações as quais eles não percebem a relevância, já não são necessárias naquele formato, estão disponíveis na internet. São conteúdos que enchem o currículo e não atendem as necessidades do mundo real.

É preciso um novo formato para a escola...e estas novas escola já estão surgindo por ai. Algumas pouco acessíveis, outras nem tanto. Tem as micro escolas que são uma alternativa e preferem trabalhar de forma personalizada, valendo-se da tecnologia aliada ao contato com a natureza, porém com estruturas nada convencionais.

Acredito que se uma escola quer se manter relevante para o agora e o futuro, ela precisa ir se renovando, abrindo mão destas estruturas antigas e se ir se transformando assim como o mundo se transforma.

A escola precisa ser viva, estar sempre à frente do mundo para se chamar "escola".



Débora Aquino - Educação Criativa




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