Não nasci para ser igual - Sobre a rigidez do sistema escolar

Há três princípios no qual a vida humana floresce... e eles são contraditos pela cultura da educação na qual a maioria dos professores tem que trabalhar e a maioria dos estudantes tem que enfrentar.

  • Somos naturalmente diferentes e diversos 
  • Somos naturalmente curiosos
  • Somos naturalmente criativos
*Ken Robinson

O sistema escolar hoje é estruturado de maneira que todos sejam iguais. Daí as dificuldades. 
Pessoas são diferentes e aprendem de formas diferentes (veja o artigo já publicado aqui Perfis de aprendizagem ). Quando esperamos que as pessoas tenham as mesmas aptidões , se interessem pelas mesmas coisas estamos limitando as possibilidades.

Em uma conversa com minha filha adolescente, ela me disse uma frase que me fez pensar : "Nunca fui a melhor aluna na escola, mas estudo o tempo todo. Não necessariamente os assuntos da prova...mas se alguma coisa me interessa, viro a noite pesquisando até aprender - isto é estudar não é?"

Realmente, isto é estudar. Mas para o sistema escolar não serve. A curiosidade não serve. Serve a resignação, serve estudar coisas sem saber o porquê, serve não questionar.

Veja por exemplo, a reforma do ensino médio, tão controversa. Muita coisa foi mudada...mas a maneira de ensinar, o currículo continua o mesmo.

O ensino hoje não atende mais as necessidades atuais dos estudantes. A maneira de acessar conteúdo mudou. As necessidades mudaram.

Hoje para alguém se desenvolver e encontrar seu espaço são necessárias habilidades que não são trabalhadas na escola. 

Criatividade, auto conhecimento, conhecimento do outro, curadoria, empreendedorismo e até mesmo a habilidade de adaptar tecnologias no dia a dia de forma saudável. 

Como lidaremos com o avanço da inteligência artificial?

Profissões desaparecem, surgem novas, com novas habilidades necessárias e o espaço escolar não está servindo de suporte a estes estudantes.

Moro em uma cidade que considero uma das mais criativas que já conheci. Aqui acontece um fenômeno curioso: a maioria das escolas é muito tradicional , e elas dominam o cenário educacional.

Vejo escolas infantis com propostas mais abertas, criativas e inovadoras, mas do sexto ano em diante a coisa muda - parece que aí tem que ficar sério, o filho tem que ir pra uma escola "séria"...

E assim passam-se os anos do ensino fundamental, o massacrante ensino médio e aí a libertação: a faculdade. Daí em diante o que acontece se assemelha a uma hidrelétrica: toda a criatividade reprimida durante a vida vem à tona. Não é a toa que Belo Horizonte hoje é considerada o maior polo de startups do Brasil. 

São jovens criando o tempo todo e desenhando um novo modelo de negócios nunca antes visto. Existe um movimento de valorização dos produtores e empresas locais, Redes colaborativas, hubs, e todo tipo de inovação que você pode imaginar.

Se a rigidez do sistema escolar contribuiu de alguma forma com isto? Não sei... talvez na disciplina , persistência... mas penso que esses jovens poderiam estar vivendo sua criatividade desde sempre na escola. Ter espaço para pensar diferente, investir em projetos pessoais e protagonizar mesmo.

Meus filhos estudam em uma das únicas escolas que não seguem este padrão aqui. Uma escola em que todos são incentivados à autonomia. Sem aulas tradicionais, uniformes ou provas.

Sobre o uso do uniforme há quem veja benefícios. Para minha filha, poder se vestir como quiser foi libertador. Todos sabemos que a forma que nos vestimos também é uma maneira de se expressar. Nem todos são extrovertidos o suficiente com a voz...alguns são extrovertidos com arte, moda, entre outras possibilidades.

Penso que precisamos com urgência rever nossos objetivos em relação à escola e em como ela pode se tornar irrelevante no desenvolvimento das habilidades. Estudantes não são números; são pessoas com sonhos e projetos pessoais. 

O quanto a escola está hoje contribuindo com a realização destes projetos?

Débora Aquino - Educação Criativa



https://www.instagram.com/deboraaquino.educacaocriativa/