Identidade do professor

Se tem uma coisa que mexe com a gente é a nossa identidade. Como nos reconhecemos e somos reconhecidos. È um comportamento humano e totalmente natural . Passamos a vida construindo nossa identidade a partir de valores que aprendemos e incorporamos por julga-los bons.

Profissionalmente fazemos a mesma coisa, não importa a área escolhida, somos guiados por nossos valores éticos e morais. 

Entre os valores morais, está a figura
do professor -  aquele que é sábio, cheio de conhecimento e irrepreensível em todos os aspectos - Esta é a idéia pré-concebida que involuntariamente adotamos. 

Costumamos utilizar a famosa frase: " No Japão todos se curvam diante do professor..."

Anos passam, culturas mudam e relutamos em manter a figura do professor como " o guru que sabe tudo".

Tudo ia bem... até outro guru aparecer. Um guru com memória superior, uma máquina de armazenar informações, um oráculo pronto a responder qualquer pergunta sem formalidades ou ameaças autoritárias. Basta dizer: "Olá Google" e ele está pronto a responder.

Aí está o cenário de uma crise de identidade. Na era da informação disponível, qual é o papel do professor? Quem é o professor? Qual sua identidade?

Um sentimento de incerteza e insegurança toma espaço e por medo do desconhecido nos agarramos ao modelo antigo e conhecido: aquele em que o professor era o centro e tinha em seu comando os movimentos mais sutis das lineares filas de sua sala de aula. Usava a prova  para coagir e conseguir atenção em seus monólogos. 

Do outro lado , os alunos: Eles não se curvam mais, não obedecem nem veneram. Estão deslumbrados em seu mar de informações e tecnologias. Não precisam do arcaico e ultrapassado professor.

Estamos em um momento de transição. O mundo e a sociedade estão em rápida e constante mudança queiramos ou não. O que é relevante hoje, amanhã possivelmente será obsoleto e fora da escola todos já tiveram que aprender a sobreviver criativamente.

Nós professores, ou reaprendemos e nos reinventamos ou ficaremos pra trás , e neste momento, mudar é fundamental. Aprender com o novo e no meio da turbulência encontrar respostas. Perceber o momento e aprender com ele.Um momento difícil, porém importante como parte do processo.

Me lembro aqui de um de meus trechos favoritos de Nietzsche em Humano, demasiado humano:

" A borboleta quer romper seu casulo, ela o golpeia, ela o despedaça. Então é cegada e confundida pela luz desconhecida, pelo reino da liberdade."

Eis que nasce a nova identidade do professor - O CURADOR - aquele que no meio do mar de informações , seleciona o que é relevante, desenvolve com seus alunos habilidades essenciais como: compreender, analizar, pesquisar, criar conexões e se auto-desenvolver.

O professor curador que superou os holofotes e está realmente preocupado com o desenvolvimento humano.

Este é o valor do novo professor e , sabendo disso nos percebemos melhores, menos egoístas e conseguimos novamente olhar no espelho com satisfação e dizer:  "SOU PROFESSOR!"




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