Sobre ensinar e fazer crochê




Uma das maiores dificuldades quando se quer ensinar alguém qualquer coisa que seja, é despertar o interesse e a vontade de aprender.
O primeiro passo é se conectar com o processo de aprendizagem de cada aluno, que é ao mesmo tempo complexo, individual e inter-relacional.
Para dar continuidade a uma construção de pensamento ou até mesmo desenvolver uma habilidade prática, preciso retornar ao início de tudo. Olhar cada aluno como alguém que trilhou um caminho até aqui, que trouxe consigo uma história, uma visão de mundo e seu próprio jeito de aprender.
Identificar isso em cada um é fundamental para conseguir criar uma conexão de idéias e dar o próximo passo. É como pegar uma peça de crochê que alguém começou.
Para que eu possa dar continuidade a ela preciso compreender cada ponto e cada laçada. Talvez sejam necessários desfazer alguns pontos, um a um, e só depois continuar com uma nova proposta. É uma relação de respeito com o que já foi construído.
Sempre tenho em mente que a tal “peça de crochê” é uma vida, um contexto, uma história.
Sinto-me honrada e ao mesmo tempo um senso de responsabilidade me toma quando todas as vezes tenho que percorrer um caminho de volta na construção do pensamento para compreender como aquele aluno pensa, como interage e como vê o mundo, e então junto com ele construir um novo caminho. É necessário colocar-se no lugar do outro constantemente.
Preciso conhecer cada dificuldade, e também identificar as potencialidades. Conhecimento é construção, um interlaçado de linhas conectivas, como os desenhos em crochê.
Cada aluno é uma “peça” única e original a qual tenho o privilégio de conviver e aprender.

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